Passantes pensantes

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Era um pouco tarde. Tampouco cedo, mas não tão tarde. Estavam sempre a observar o movimento dos que ali passageavam, uns a pé, outros veiculados. Faz bem uma prosa de vista, diziam sempre que o tempo permitia, faziam sempre que o tempo permitia. Não imaginavam que chegaria aquele dia. Dois conhecidos beirando um banco de praça.

Um rapaz muito apressado, sem observar nenhum ponto fixado. Passara pelos conhecidos beirantes, num tom um tanto ofegante, lançou um sinal positivo e operante, para o vão entre os que compunham a multidão, desapareceu, marcando apenas o bege de seu casaco.

Dias com pauta

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…servem como blocos, algum dia tentaram me organizar, atualizar, me sabotar. Não gosto do seu sistema, gosto dos layouts e dos temas das disposições que enfeitam e preenchem as páginas e páginas com mais e mais indicativos de organizações e horários do dia, qual é a semana do ano, qual é a lua em que estamos? Inúmeras tentativas de atrair nossa vontade de preencher nossos dias. Em meio a tantos artifícios dispostos, falta-nos disposição  para preencher esses dias. Quanto será necessário de ansiedade para um passo a mais? Seria a ansiedade o combustível dessa urgência nas tarefas e atividades? Enquanto isso, faço poemas com folhas de uma agenda de 2012 e poesias com um dia vazio de um dia 1º de fevereiro. Escrevo em agendas, elas…

Tubos de ensaio

rascunhos antecipados

Hoje não durmo em casa, não durmo, pois algo me desconstrói a mente. Noites a fio, permaneço constante em uma tarefa. Mesmo que no final não dê em nada, mesmo que o fio dilacere minha alma, permaneço com foco.

Compro hoje o que já não mais precisava, todos os instantes, fotografias e momentos, sorrido. Pára com essa de que nada vai mudar, uma década se constrói com anos. Não vou deixar de planejar, pra ter uma faixa pra mudar, uma nova pista pra fritar. As cores já não são mais saborosas. Enfrento a chuva daqui dessa manopla, sem manobras, sem sustos e arrepios.

Fonte exata, super enquadramento. Parâmetros e parâmetros para fazer feliz o desdenho.

Quantos dias são necessários para…

Receitas fonológicas

…que a medida correta seja tomada, novas atividades sejam concluídas e toda a expectativa aniquilada? Seguindo uma pauta de incertezas, deu-se vida ao que estava jogado, sem um apego ou foco sinestésico da frieza do revestimento. Focado em rotações, bem mais do que nos aromas, construiu-se as conexões, nada de rede, nada em paralelo.  Tudo o que se podia ouvir foi dito naquele momento, mas nada de eco ou reverberação, muito menos uma modulação foi necessária. Era indispensável que toda falta de atenção viesse a calhar. Como de costume isso ocorria em um piscar de olhos. Na progressão de que não exigia o esforço contrário, as complicações futuras eram iminentes…

Segue-se o fluxo, o impacto é congelante, então, depois que toda a energia produzida se dissipa e as complicações já estão instaladas, quantos dias…

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…são necessários para esquecer alguém?

Trilhas e Caminhos

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Sempre estamos a beira do caminho, a beira do inicio, a beira do fim, muito proximo do final de alguma coisa, sempre que algo está em andamento. Andante e alegre, buscando uma forma de caminhar, ou seria trilhando?

Difícil dizer, complicado o modo como encaramos a vida, talvez meu blog esteja sofrendo isso, saindo de um caminho e entrando numa trilha, ou o inverso.

Diria que uma trilha tem todos os empecilhos e complicações. Um caminho com emoção, mas o caminho é o que precisamos quando trilhamos sperdidos, sem uma bússola.

Muitas navegações irão surgir. Espero registrar meus diários de bordo…

Nunca Pare, Leia antes de começar

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Encabeçando os acéfalos estão os desprovidos da dor de cabeça, como isso será possível se a medida que avançamos nos tornamos menos iniciantes, menos novatos. Condicionando nossa compreensão de mundo, no ar condicionado do espaço planejado, abertura para uma nova forma formal de entendimento, falando bonito, cheio de “erres” e “acertes”, tudo o que temos é que estabilizam-se as expectativas. Gostaria, já não mais, de poder sentir o mundo, abrir o poço de aguas em pedras e iniciar uma tentativa de resgate daquilo que mal posso enxergar. Um salto na escuridão, profundo impacto de comoção e pouca ação. Seria eu um fugitivo da linha final, encaminhando para o inevitável todas as vezes que coloco minha conta conjunta e solitária em risco? Que venham os débitos pois tenho crédito comigo mesmo pra gastar.

Modo de Preparo Mais Difícil

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Coloco a disposição de molho com fomento a gosto. Me fatiando e cubos se a faca não cegar, chego ao ponto exato, pronto pra me desmanchar com tanto aroma que nem o vizinho mais anti social deixará de presenciar. Ou seria check-inhar? Nham nham. Voto sempre que eu posso, é tanta espera para dorar, odiando a demora. Qual seria meu papel filme no vácuo da falta de espaço da sua embolotagem? Acho que doce demais fica bom, não me preocupo com formigas, daqui de tão alto nem lembro mais o que é o chão. Informações nutricionais, nutrem o desgosto de não informar nem o mais assíduo cliente. Qual é a diferença? Dois centavos a menos, esse é qudrado e o outro retanguar, parece que nada aqui foi feito para descomplicar. Imagina as embalagens fáceis de embalar o coração dos ansiosos!

O Pirata, O Cachorro e a Ponte (Parte II)

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Nem se lembrava mais de quem era, estava perdida numa saga que mais parecia aquelas corridas contra o tempo regressivo antes que o micr… PIIIIIIIIIIIIII …ondas que adoram quebrar o silêncio, esse mesmo silêncio ou barulho do mar enquanto diz muito sobre suas angústias. O que fizemos com o mar?

Ele busca ainda de cima da ponte, um ponto, um foco, talvez um trecho em que uma frase súbita, solta e desmuniciada pudesse fazer sentido em tudo que tivessem dito na semana passada. Ou talvez ele não queira algo que faça sentido, porque o que faz sentido não está dentro de seus sonhos. Os sonhos precisam fazer sentido num plano cartesiano?

A tarde estava branda, nem frio, nem calor e nem chuva, tão pálida e inexpressiva que as pessoas no ponto mal sabiam se elogiavam ou reclamavam do tempo que fazia. Atravessando fronteiras de uma bandeira distante surgiam diálogos que mais tarde levariam os envolvidos a empunhar suas palavras de ordem: “leve ao forno em potência média-alta por 15 minutos”. Nova e antiga, mentes que se desafiam em encontrar razões e racionalizações nobres, convincentes e irrefutáveis. Vejam, o meu está bem mais saboroso.

Assistia a tudo, todos os dias esses dois colocarem a minha ração, só não imaginava que quando se separassem eu ficaria perdido como numa mudança… Rsrs

Fotografias que perdemos

Fotografias, Receitas fonológicas

Quanto vamos captar de nossos filtros culturais? Nossas cargas pessoais e intransferíveis, entretanto, compartilháveis. Nossos mais variados modo de agir e jeitão de ser. Tudo isso vem embutido em nossas expectativas de sermos diferentes a cada dia. Melhores que ontem. Uma curva positiva num plano não tão cartesiano assim, fixado por um eixo X e outro Y.

Já pensou em desligar o seu foco automático? Ele está sempre ajustando para a melhor posição, aquela mais cômoda e clara. Talvez ele esconda um detalhe que você jamais irá encontrar e… lá se vai mais uma fotografia que perdemos.

Onde piso nessa grama que brotam casos de passagem, tomo cuidado, pois não tenho tanta coragem de captar sua imagem e pendurá-la no meu quarto escuro.

Sempre me retrato para não encontrar histórias longas demais, pedidos de desculpas vindos do mais alto tom, soam como cintilante plástico que protege nossas fotos de uns quinze anos atrás.

Assim são as fotos que perdemos. Inclusive as que um dia reencontramos.